VISTA HOLCIM 1

A transparência deveria ser bem vinda no mundo das cimenteiras. Este talvez seja o último bastião importante para o planeta Terra onde a transparência ainda não teve vêz. Levando em consideração que o cimento está em segundo lugar como o produto mais consumido no mundo, só perdendo pela água. Nem o lobby bancário ou o lobby do petróleo puderam se dar ao luxo de manter o estado das coisas por tanto tempo escondido. Então é no mínimo intrigante como o mundo das cimenteiras conseguem tal proeza no século XXI. Eu me pergunto como pode uma transnacional com 1700 empresas ao redor do mundo, como é o caso da Transnacional suiça Holcim S.A nunca conseguir por um motivo ou outro alcançar nenhuma página de jornal importante ao redor do mundo. Não existe um jornalista de nome, interessado ou especializado no assunto. Já que não podemos viver sem água e nem cimento, as cimenteiras deveriam ganhar mais atenção. É por isso, que é necessário não se calar mesmo quando a maioria das pessoas que são chamadas a participar preferem sempre, sem se explicar, se calarem. O sucesso desse silêncio tem acima de tudo haver com a forma de marketing industrial empregada pela Holcim desde 1991. Naquela época a Holcim foi uma das maiores patrocinadoras da criação da Conferência da Terra no Rio de Janeiro. Stephan Schimdheiny foi escolhido como o representador do grupo cimenteiro. Mas Stephan Schmidheiny é o principal patrocinador do conhecido WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), o qual foi fundado pelo mesmo, para defender os interesses do grupo empresarial na Conferência da Terra no Rio em 92. Este Conselho tem hoje mais de 170 membros das maiores transnacionais do mundo. Muita gente neste mundo já sabe sobre a maior catástrofe sanitária do século XX, a contaminação do amianto. Como também muita gente já sabe que Stephan Schimheiny foi considerado culpado pela contaminação das vítimas do amianto num julgamento na Itália e condenado a 18 anos de cadeia. O seu irmão Thomas possui mais de 20% das ações do grupo Holcim, segundo dados da Forbes. No momento a Holcim e a Lafarge estão em negociação para fazer uma fusão criando assim o maior monopólio do mundo.

Décadas a fio a família Schmidheiny ajudou a manter o argumento de que o amianto é um material inerte encapsulado no cimento e, por isso não é perigoso. Praticamente tudo era discutido e sistematicamente planejado atrás das portas do SAIAC (Associação das Indústrias do Cimento Amianto). O SAIAC, segundo Ruers e Schouten 2005, estava sediado na Suiça, sob a liderança de seu patrocinador Ernst Schimidheiny.

Hoje o que resta para o ser humano comum é uma herança mortal gigante de vítimas do amianto por ano; um saneamento ambiental que durará décadas para ser feito, pelo menos lá onde ele foi proibido. Nos países industrializados ele é a causa número 1 das mortes por doenças ocupacionais. Segundo Ruers e Schouten morrem na Europa Ocidental entre os anos 1995 até 2029, 250.000 mil homens da doença mesotelioma e no mínimo um mesmo tanto de pessoas com câncer de pulmão relacionado à contaminação do amianto.

As culturas organizacionais são a imagem de seus líderes. Seus líderes representam os heróis, modelos a serem seguidos e imitados dentro das organizações . Assim os descendentes de Ernst Schmidheiny adotaram os mesmos rituais, práticas de fazer negócios de seus ancestrais e construíram um império. Hoje, no século XXI a Holcim usa e abusa dos conceitos do desenvolvimento sustentável para legitimar a incineração de rejeitos perigosos em fornos de cimento em todo o mundo e manter seu estatus de líder da indústria no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, da Bolsa de Valores de Nova York. A incineração ou co-processamento (depende de quem fala), segundo ela é uma forma sustentável de reduzir a emissão de gás carbônico, economizar recursos naturais e resolver os problemas relacionados à disposição de resíduos perigosos. Mas nada disso é verdade como veremos abaixo.

Visto o número de toneladas e os tipos de rejeitos perigosos que se queima por hora em um incinerador de uma cimenteira nos países em desenvolvimento, não é nem um pouco fictício ou catastrófico se perguntar se a contaminação de POP`s (Poluentes Orgânicos Persistentes) e metais pesados pode chegar a ser maior contaminação sanitária do século XXI? Desta forma a família Schmidheiny segue a tradição de vilões na história do planeta Terra.

As cimenteiras eliminam 99% de contaminantes no forno de cimento?

Em maio de 2004, foi difícil, praticamente impossível contradizer no interiorzinho de Minas Gerais , Brasil, a fala de um professor da Universidade de São Paulo. Nós não sabíamos quase nada sobre incineração. E, foi por isso, que naquela tarde os Odescianos acharam melhor calar a boca e pesquisar melhor. A ODESC é uma pequena organização não governamental da cidade de Barroso, no estado de Minas Gerais, que vem a mais de dez anos denunciando a incineração de rejeitos perigosos em fornos de cimento. O resultado foi o seguinte citado, protocolado pela ODESC, no Ministério Público Federal, nada mais nada menos que, seis dias depois da palestra do professor Maringolo em Barroso, sobre a segurança do “co-processamento”:

No dia 18 de maio de 2004 a empresa Holcim S.A. do Brasil realizou uma palestra proferida pelo Doutor Vagner Maringolo, doutor pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e empregado da Associação Brasileira de Cimento Portland, com o objetivo de trazer a visão técnica científica sobre a segurança do co-processamento e a sua utilização pela indústria cimenteira no Brasil. O mesmo cientista ocupou posição no grupo de estudos técnicos que subsidiou a elaboração da resolução CONAMA n° 316/2002, fato que nos causou estranheza porque referida norma exclui a indústria cimenteira de seu campo de abrangência, exceto no que diz respeito às dioxinas e furanos. Nos causou espanto o fato do cientista defender a posição e afirmar a existência de certeza científica, sendo certo que teses posteriores foram publicadas dizendo o contrário, ou seja, que o processo não é seguro e que há riscos à saúde humana e meio ambiente, então não há a menor segurança defendida pelo cientista, muito menos certeza científica”.

A fala do doutor Maringolo vai ficar por longo tempo na memória dos mais de cem barrosenses que estavam presentes naquele dia: “um forno de cimento é capaz de eliminar sem gerar contaminantes, 99,99% dos resíduos”. Este resultado com certeza obtido em pesquisas laboratoriais está longe da realidade e das experiências dos moradores do bairro do Rosário e dos barrosenses em geral, a respeito da incineração de rejeitos perigosos e, é isto que conta. Além do mais até que ponto a Universidade de São Paulo (USP), como uma universidade associada à Holcim Foundation é realmente neutra em suas conclusões científicas? Veja também: http://noalaincineracion.org/wp-content/uploads/HOLCIM%20SA%20brincando%20de%20Deus.pdf

Não há riscos para a saúde pública e meio ambiente?

Em vários eventos públicos a Holcim faz questão de sempre colocar que não havia motivos para questionar a segurança do “co-processamento”. Segundo ela, tudo está dentro da lei. Todo o licenciamento e o monitoramento foi obtido de acôrdo com os parâmetros brasileiros. Ao longo dos anos de luta foi possível constatar que estas declarações públicas da Holcim não correspondem com a realidade. Uma análise do cimento barrosense feito nos Países Baixos indicou contaminação do cimento por cádmio. “A região entorno da fábrica pode estar exposta à altas concentrações de cádmio, mercúrio e zinco tanto quanto aos particulados finos emitidos através da produção de cimento. Uma alta concentração de cádmio no corpo pode causar danos nos rins, no sistema nervoso central, como também pressão alta, retardamento no crescimento e enfraquecimento do sistema de imunidade.”

Na ata número 27 da ODESC está disposto dados sobre um levantamento de doenças entre 2002 a 2004, feito pela ODESC no ano de 2005. A maior causa de morte em Barroso é por doenças pulmonares, ficando com 40% da população. Em segundo lugar vem as doenças cardíacas com 18%. Este dados foram apresentados a representantes da Secretaria Municipal de Sáude. A secretária na época e hoje funcionária do Hospital de Barroso, disse que os dados obtidos “não condizem com a realidade, uma vez que se referem apenas às internações do Sistema Único de Saúde (SUS) e, que o hospital possui outros dados em seus registros”. Alguns médicos, que preferem se manter anônimos, disseram também que os dados de câncer de pulmão são maiores que os indicados. Outras conclusões da ODESC são: diminuição significativa das doenças do trato respiratório inferior de 40%, aumento significativo de doenças cardíacas de 46%, de doenças do trato respiratório superior de 27%. Em crianças, 100%. Aumento de diabetes mellitus de 36%. Aumento da prematuridade de 100%. Aumento excessivo das doenças neurológicas de mais de 200%.

Segundo informações da ODESC junto à população, estão aparecendo casos de câncer relacionados à traquéia (linfoma não Hodgkin) e tireóide, na maioria dos casos, em homens de diferentes idades e de diferentes classes sociais, no centro e em diversos bairros de Barroso desde 2007. Nos últimos anos houve um aumento excessivo dos casos de câncer infantojuvenil. Em 2011, segundo dados do Datasus, houve 26 casos de internações de crianças com câncer entre a idade de 5 a 14 ano. Em 2013 foram 22 casos na faixa de idade entre 1 e 4 anos. Estes números de casos de câncer infantojuvenil correspondem a mais de 30% do número total de casos de cancer da população barrosense. A média de cancer infantojuvenil para o Brasil é de 3% (ver: inca.gov.br/estimativa/2014).

A mortandade de peixes no Rio das Mortes no tempo da seca, a chuva ácida, seca de minas e de córregos na região rural, gerando conflitos com camponeses e a Holcim S.A. as trincas nas casas, tudo isto são sinais de que o impacto no meio ambiente é visível a olhos nus.

Economia de recursos não-renováveis?

De acôrdo com o Relatório de Sustentabilidade da Holcim de 2004, a empresa fêz significantes sucessos na substituição de recursos naturais pelo uso de “matérias alternativas”. A Holcim Barroso se tornou a número 1 do grupo Holcim mundial em substituição do clínquer pela escória siderúrgica de alto-forno, ou seja uma media de 40% de substituição. Neste mesmo relatório, na página 25, a empresa se contradiz ao dizer: “um dos principais motivos para a alta taxa de substituição é a proximidade da Usina Presidente Arthur Bernardes, da Gerdau Açominas, com a qual temos uma parceria: a fábrica de Barroso fornece calcário para essa siderúrgica, que fornece escória para a fábrica”. Isto quer dizer que a substituição é igual a zero. De acôrdo com a ong GAIA, o próprio objetivo da incineração é um problema para o planeta: “a incineração é uma tecnologia desenhada para converter recursos naturais em cinzas tóxicas, gases e líquidos contaminantes”. Já que as incineradoras, cimenteiras, necessitam de rejeitos e mais rejeitos que foram transformados de matérias prima, a demanda é sempre por mais transformação de matérias prima para prover os fornos de matérias mais tóxicas que as primeiras. Ver: www.no-burn.org

Mínima emissão de CO2?

Visto as afirmações do parágrafo anterior tem que ser levado em consideração a transferência das emissões de CO2 para terceiros como também a produção de CO2 em todo o processo de produção do cimento desde extração até ao transporte. Segundo Santi 2003, os fornos de cimento foram construídos para utilizar combustíveis convencionais mas hoje muitos resíduos estão bem longe disso. A Holcim S.A não pode garantir sempre uma diminuição de CO2 exatamente por causa dos vários problemas técnicos que surgem por causa dos diferentes tipos de rejeitos que ela joga no forno. Rejeitos estes, que não tem nenhuma outra função a não ser a função de ter que ser puramente “eliminado”. Eles não tem a função de substituição de matéria prima e nenhum valor energético. Exemplos são os rejeitos do Aterro de Mantovani e o SPL (Spent Pot Lining). Outro exemplo é a incineração de pneus inservíveis desde 2002. Segundo a ong sulafricana Groundwork, a queima de pneus gera mais CO2 que a queima de rejeitos convencionais. Além do mais a incineração sempre vai provocar mais CO2 do que qualquer outro processo de geração de energia querendo ou não.

Economia de energia?

Levando em consideração o acima citado, a ong GAIA diz que é necessário reconhecer o fato que, qualquer objeto, que se tornará rejeito, contém mais energia que o calor liberado quando ele é queimado. “Qualquer análise de um ciclo de vida básico demostrará que o valor calorífico da maioria dos artigos é uma pequena fração da energía que tem incorporada, a energia utilizada para extrair e processar as matérias primas, convertê-las em produtos e transportar estes produtos até ao mercado. A energia incorporada se perde por completo quando um artigo é queimado em um incinerador”. Isto também foi frisado pelos engenheiros e técnicos da Holcim em Barroso. A incineração em um forno de cimento gera paradas frequentes com várias consequências. Além da perda de energia estas paradas provocam mais poluição e gastos técnicos e financeiros.

A Holcim em seus relatórios de sustentabilidade coloca que o “co-processamento” é recuperação de energia e ao mesmo tempo uma forma de ajudar as outras empresas e comunidades a eliminarem definitivamente seus resíduos”. Mesmo se isto fosse verdade, ela ainda ajuda da mesma forma a destruir outras formas de recuperação de matéria prima promovendo a incineração. Da mesma forma ela ainda continua dependendo da matéria prima de terceiros transformada em rejeito, por exemplo o uso da escória em Barroso. No seu último relatório em alemão, GB2013, a Holcim coloca bem claro qual é o objetivo da empresa. Ela vê a incineração principalmente como uma estratégia de redução de custos. Em 2013 ela obteve uma redução de custos queimando rejeitos de 187 milhões de francos suiços. A nova estratégia é incinerar mais, inclusive lixo urbano. Ela já iniciou estas atividades na Europa, na Ásia e na Índia criando a empresa incineradora Geocycle. Para vêr o relatório acesse: http://www.holcim.com/uploads/CORP/Holcim_GB2013_Web_de.pdf

Engenheiros da fábrica de Barroso, na nossa última visita à fábrica em maio de 2014, confirmaram aos membros da ODESC que a Holcim em Barroso incinerava rejeitos porque a demanda por cimento estava baixa. Isto não mudou já que tudo continua como antes, segundo nossos informantes.

Mínima emissão de dioxinas, PCB`s, metais pesados, etc?

Na vida cotidiana em nível local, a Holcim faz questão de frisar a segurança da incineração. Mas em nível global ela faz o reconhecimento do contrário no site do WBCSD (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável):

A produção de cimento gera um significante impacto entorno das comunidades, ambos positivos e negativos. Um dos impactos negativos é a alta formação e emissão de POPs. O co-processamento de resíduos perigosos em fornos de cimento está explícitamente mencionada na Convenção de Estocolmo como sendo uma fonte industrial em potencial de POPs. A indústria cimenteira leva qualquer fonte potencial de POPs a sério, primeiro por causa do impacto que isto pode ter para a reputação da própria indústria e, segundo porque qualquer mínima quantidade de dioxina pode se acumular na bioesfera com potenciais consequências a longo prazo”. Segundo Santi 2004, Reijnders 2007, os níveis de dioxinas e furanos é aumentado em 8 vêzes mais quando se incinera rejeitos em um forno de clinquer. Em maio de 2014, a vice- coordenadora da ODESC levou para a Holanda ovos de galinha de um galinheiro do centro da cidade de Barroso. Os ovos foram analisados pelo Instituto Holândes para Segurança Alimentar RIKILT. RIKILT faz pesquisas sobre a segurança e a qualidade dos alimentos. O instituto é especializado na detecção, identificação, funcionalidade e eficácia (potencialmente prejudicial) de substâncias em alimentos e rações e especialista em análise de dioxinas e furanos. Nos ovos de Barroso foram encontrados altos níveis de dioxinas, furanos,e pcb`s, respectivamente: 1.8 pg TEQ/grama de gordura, 3.3 pg TEQ/grama de gordura, NDL-PCBs is 6.4 ng/grama de gordura.

De acôrdo com o toxicólogo holandês Martin van den Berg os níveis de contaminação de pcb`s estão altos. Tais níveis deixam claro que as emissões de contaminantes vêm claramente da incineração de resíduos perigosos em Barroso. Segundo ele, também o alto índice de câncer infantojuvenil pode haver com um alto nível de emissões de outros tóxicos, metais pesados, por exemplo: cádmio, chumbo e mercúrio. Isto quer dizer que Barroso foi contaminada pela Holcim S.A. Segundo cientistas da IPEN estes dados servem como um alerta já que os níveis excedem os níveis de ação da União Européia em matéria de dioxinas. Para vêr o relatório da análise acesse: www.incineradornao.net

Processo produtivo seguro?

Dados apresentados pela ODESC não condizem com esta realidade da empresa. Se a própria indústria cimenteira admite em nível internacional “a potencial formação de POPs no co-processamento de resíduos perigosos”, para Barroso vale o mesmo. E, se comprovadamente a incineração é a maior fonte de POPs está claro que o processo não é seguro. De acôrdo com a ong GAIA e a Convenção de Estocolmo a incineração em todas as suas formas é um processo inseguro. O objetivo da presente Convenção é proteger a saúde humana e o meio ambiente dos poluentes orgânicos persistentes. Segundo Santi 2004, “a fabricação de cimento com a co-incineração de resíduos expande o alcance dos riscos, formando inúmeros cenários de exposição dos componentes perigosos que se movimentam de um ponto a outro da cadeia de produção e uso do cimento, com grande potencial de agravo à saúde dos trabalhadores e da população e de comprometimento da qualidade ambiental”. Há mais de dez anos a Holcim incinera uma quantidade e tipos de rejeitos que ainda nos são desconhecidos. Apesar de nossos esforços a Holcim e Prefeitura Municipal de Barroso não nos passam os dados a respeito. Hoje pelas análises feitas no exterior sabemos que Barroso e região estão contaminados. Porque a insistência em nos recusar estes dados?

Repasse de ISSQN ?

De acôrdo com os dados da ODESC levantados desde 2003, a Holcim S.A. só pagou durante dois mêses em 2005 impostos sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN). A porcentagem de ISSQN é determinada por cada município. Em Barroso a taxa é 4,5%, no caso, a Holcim teria que pagar 4,5% por cada tonelada de rejeito incinerado. De acôrdo com estudos de Santi, 2006, a Holcim Barroso incinera oficialmente aproximadamente dois milhões de toneladas de rejeitos por ano. Supondo-se que para cada tonelada incinerada, a Holcim receba uma média de 200 reais, ela então, deveria ao munícípio aproximadamente a soma de 4.644.000,00 reais. Este, que deveria ser um dos impactos positivos mais importantes citado no site do WBCSD, também não acontece. Na verdade estes dados são fictícios desde que até hoje não foi possível obter da empresa uma lista completa de rejeitos incinerados. A ODESC, através de suas investigações pode dizer que a Holcim, com certeza, incinera muito mais rejeitos do que o oficialmente conhecido, nas classes de preço de até 2.000 reais por tonelada.

O mais macabro e interessante para a midia suiça e internacional deveria ser o fato de que nos relatórios nacionais e internacionais da Holcim não está declarado números sobre a incineração/co-processamento de rejeitos!!! A Holcim S.A. é com certeza uma incineradora. Ela com certeza tem mais lucros com a incineração de rejeitos tóxicos do que com a produção de cimento em países em desenvolvimento. Mas porque ela declararia se a incineração para ela é redução de custos? E na própria Europa? Também foi redução de custos? Por mais de 50 anos? Ela desmerece o titulo de líder da indústria no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, da Bolsa de Valores de Nova York, que destaca “as melhores práticas em sustentabilidade corporativa no mundo”. Ela deve ser tratada como uma empresa incineradora da pior espécie.

E como se isso tudo já não bastasse, em 2012 a Holcim S.A. iniciou em Barroso seu maior projeto de expansão no mundo: a construção de um novo forno de cimento no valor de 1,4 bilhões de reais, sendo uma parte de 450 milhões financiada pelo BNDES. A fábrica pretende triplicar a produção de cimento. A quantidade de rejeitos a ser incinerada ainda é desconhecida.

As consequências já são enormes: prostituição infantil, custo de vida muito alto, mais poluição atmosférica, mais doenças, numa cidadezinha de somente 24.000 habitantes escondida entre os morros das Minas Gerais.

One thought on “HOLCIM INsustentável

  1. estamos fadados a destruição do planeta.

    estamos fadados a ver aos poucos os grandes conclomerados industriais capitalistas vindo e dando ordens em nosso pais,isso é um absurdo governos passam e a coisa só piora.

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