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O movimento contrário à implantação de uma usina destinada à  incineração de resíduos em São Bernardo do Campo ganhou reforço político na sexta-feira (23/09),  quando a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira reprovou publicamente o projeto proposto pela prefeitura.  Durante seminário sobre meio  promovido na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, por iniciativa do deputado federal Vicente Paulo da Silva (Vicentinho, do PT) e pela própria entidade sindical, a ministra comparou o projeto a uma armadilha para as prefeituras.

A fala de Izabella deixou em saia justa o prefeito Luiz Marinho (PT), que na abertura do evento rebateu críticas dos opositores da denominada Usina Verde, projeto que prevê uma unidade de incineração de resíduos, também destinada à produção de energia na área do antigo Lixão do Alvarenga. O chefe do Executivo alegou que a iniciativa, quando concretizada, envolverá cerca de 1000 trabalhadores, enquanto hoje o sistema de coleta seletiva  emprega apenas 120 catadores organizados nas duas cooperativas existentes da cidade. Segundo ele, o sistema atualmente atinge apenas 0,92% do lixo gerado em São Bernardo, percentual que acredita elevar para 10% com a implantação da usina. Marinho alegou ainda que o projeto “está em sintonia com o plano nacional de resíduos”.

“Cuidado com as armadilhas”, frisou por três vezes Izabella Teixeira, advertindo que muitas prefeituras quebraram e prefeitos se complicaram por causa de investimentos semelhantes. A ministra  deixou claro o compromisso de campanha da presidenta Dilma Rosseff, cujo governo, segundo ela, pretende “lutar até o fim pelos catadores”, em prosseguimento ao apoio dado ao segmento pelo governo Lula.  Compromisso que Izabella disse ter reforçado pessoalmente, ao contar emocionada sobre um episódio em que foi abordada por uma catadora que beijou suas mãos suplicando-lhe que não permita o fim da atividade que gera o ganha-pão da categoria.

“Prioridade zero – A ministra também observou que os catadores são personagens estratégicos na Política Nacional de Resíduos e devem ser tratados como “prioridade zero na estruturação de coleta seletiva por parte das prefeituras”. Sempre se dirigindo a Marinho, Izabella ressaltou que seu  ministério está aberto a discutir projetos de incineração, porém apenas nos casos de rejeitos, ou seja, materiais restantes após todos os processos de manejo possíveis, a partir de ações de redução, reutilização e reciclagem. Lembrou também a logística reversa prevista em lei, que estabelece o retorno de resíduos às empresas de origem.

A ministra do Meio Ambiente disse ainda que o governo não se opõe a projetos baseados em tecnologias e sistemas livres de “dioxinas e furanos”, que são substâncias tóxicas resultantes dos processos de queima de resíduos e que, segundo alertam cientistas e ambientalistas, acarretam graves consequências ambientais e à saúde. A observação teve tom irônico, a exemplo de outros momentos do discurso da ministra, tendo em vista que a intenção da prefeitura de São Bernardo é adotar tecnologia alemã, já descartada no país de origem, por, entre outros fatores, envolver processo altamente poluente.

Além da ministra, o projeto de Marinho foi criticado também pela filósofa  Marilena Chauí, uma das palestrantes do seminário. Ela observou que  países desenvolvidos, como a Alemanha, empurram tecnologias ultrapassadas aos países emergentes, como é o caso dos incineradores.

Protestos – Desde que foi anunciado, o polêmico projeto de Luiz Marinho, está enfrentando protestos de catadores, ambientalistas e especialistas, que alertam para os problemas diversos ocasionados pelos processos de incineração. As manifestações contra a proposta incluem ação popular contra as prefeituras de São Bernardo e Diadema (que também é responsável pelo passivo ambiental do Alvarenga). Saiba mais no Lamparina Urbana. O projeto, a propósito, será debatido nesta sexta-feira (30/9), às 14 na Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, tendo como palestrantes técnicos e especialistas, entre os quais o jornalista Washington Novaes.

 

fonte: Valderez Coimbra (site Lamparina Urbana)

4 thoughts on “Ministra do Meio Ambiente critica instalação de incineradores

  1. […] em São Paulo, catadores de materiais recicláveis estiveram presentes no debate “meio ambiente e os trabalhadores”, no qual palestrou a Ministra do Meio Ambiente Izabela Teixeira, a filosofa Marilena Chauí e o […]

  2. superk7

    Quanta ignorância e atraso. Primeiro deixam o lixão aparecer, depois deixam as pessoas irem no lixão até morando lá. Então quando tudo está perdido, deixam os projetos para recuperação aparecerem e os constroem.
    Por fim aparecem estúpidos e paralisam todas as ações que poderiam levar o nível de vida da população.

  3. Mauricio

    Esta ministra é uma imbecil e esta muito desatualizada, bem como todos que estão apoiando esta insanidade. Ela precisa conhecer do que fala, bem como outros. Imagine se o lixo hospitalar, o meio pelo qual o incinerador é o mais eficaz, por acaso os catadores irão reutilizá-lo? Produtos tóxicos e cancerígenos, se não forem incinerados, podem contaminar, mananciais, solos, etc…Por acaso ela já viu ou visitou um funcionando para ver quantos benefícios terão, além de reduzir custos e outras tantas contaminações. O sistema é hiper seguro, regulamentado, monitorado, só emite gas limpo, não tem odor, aos equipamentos tem sistema de proteção automático, etc, etc, e etc…evita chorumes, emissão de gases dos aterros, etc…Vai ser ignorante não sei a onde….

    1. Borges

      Uma pergunta aos desinformados, quando reciclamos plásticos, metais, ou até mesmo quando processamos aços, plásticos, vidros, etc…por acaso eles não passam também por um processo de queima? Não emitem gases, toxinas, mercúrio, etc…? Então vamos parar o mundo, pois ainda não há solução para isto. É lógico que temos, pois basta melhorarmos, os monitoramentos, instalações de filtros, manutenções, etc…que nada disto aconteceria, ou pelo menos minimizaria, até mesmo com os incineradores.

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