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Catadores da região do Alto Tietê participaram ontem, dia 14, do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê, evento organizado com o único objetivo de promover a incineração de resíduos na região e preparar a população para receber equipamentos de incineração.

Documentos e manifestos do MNCR foram distribuídos aos participantes na tentativa de esclarecer as reais intenções daquele evento.  Os catadores tomaram a palavra para expressar seu desacordo com a incineração. “Estamos mobilizados e vamos fazer barulho” declarou Wilson Secario, representante do MNCR na região.

Segundo o Secretário da Amat (Associação dos Municípios do Alto Tietê), Pedro Campos Fernandes, já é certo a compra de dois equipamentos de incineração para o Alto Tietê.  Os municípios estão em vias de formalizar um consócio da região e já há verba para a compra dos equipamentos.

Os catadores saíram do evento com a convicção de que é preciso, mais do que nunca, lutar por um sistema de gestão de resíduos que seja inclusivo, ou terão seu pão de cada dia virando cinzas.

Carta aberta a sociedade organizado do Alto Tietê

Alto Tietê, 11 de Dezembro de 2009

Companheiros e companheiras,

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) por meio de seu Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê vem a publico manifestar a sociedade, em especial as organizações populares do Alto Tietê, sua posição com relação a instalação de incineradores de resíduos e a queimar de materiais recicláveis como forma de destinação final do lixo.

Há alguns meses temos percebido a articulação de empresas multinacional do setor de incineração fomentando lobbys junto ao poder público para venda de equipamentos de incineração do lixo na America Latina. Esses projetos têm sido colocados a população desinformado sob termos de publicidade pouco conhecidos como pirolise, gasificação, “reciclagem energética”,  no entanto são apenas sinônimos para a prática de queima do lixo.  O argumento para implantação desse sistema é que com a queima do lixo é possível produzir energia elétrica e com isso dar uma solução definitiva a problemática do lixo nas cidades.

O MNCR é contrario a prática de incineração e luta, junto com diversas entidades ambientalistas, contra essa prática no Brasil. A queima do lixo é prejudicial a saúde humana e ao meio ambiente por gerar gases  furanos e dioxinas que causam câncer.  A queima do lixo para gerar energia, por outro lado, tirará o sustento de milhares de catadores de materiais recicláveis, pois para combustão do lixo orgânico é necessário também queimar os resíduos recicláveis como o plástico.

A realização do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê é uma iniciativa para promoção da incineração e para preparar a população de nossa região para receber um incinerador. Já há planejamento do Governo Estadual para implantação de uma usina na região do Alto Tietê, os estudos e negociação já seguem avançados. Em outras regiões esses eventos também estão sendo organizado com o mesmo objetivo, como pode ser verificado nos materiais em anexo.  Um dos documentos difundidos no pré-fórum diz: “Atentos aos problemas acima, os países desenvolvidos já abandonaram a técnica de aterramento, optando pela incineração e últimamente utilizando o RSU como fonte para a geração de energia Termoelétrica, minimizando os impáctos atmosféricos e geoambientais.” http://www.luzdolixo.com.br/prf_temp.php No entanto, tivemos informações de nossa delegação presente na COP 15 que um número grande de equipamentos foram proibidos de serem instalados na Europa, por isso essas empresas (Alemãs e Francesas) tem oferecido esses serviços na America Latina.

No site do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê podemos verificar o envolvimento de empresas de incineração como Luftech Soluções Ambientais, entre outras integradas à prática de incineração de resíduos. Os eventos de promoção da incineração têm recebido dinheiro dessas empresas para compra de brindes, entre outros gastos.

A geração de energia por meio da queima do lixo é uma prática condenada e por dezenas que entidades ambientalistas em todo o mundo por gerar risco a saúde humana a longo prazo. Ver estudo do Green Peace. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/sumario_exec_health.pdf O custo de implantação de um incinerador para geração de energia é altíssimo, cerca de 13 mil reais por kW. Com já mencionamos, para criar combustão dos resíduos orgânicos, cerca de 60% do lixo, é preciso haver resíduos inflamáveis (plástico e papel) durante a incineração. Significa queimar materiais prima que pode ser reciclada e que economiza matéria prima virgem, e sobre tudo energia.

Por fim, defendemos a adoção da coleta seletiva com inclusão social dos catadores de materiais recicláveis por meio da contratação de suas cooperativas e associações como meio correto, eficiente a sustentável de tratamento dos resíduos sólidos no Alto Tietê, associada a outras formas de tratamento de resíduos com mesmo impacto no meio ambiente. Lutaremos pela implantação desse sistema para que possa atender adequadamente toda a população do Alto Tietê gerando trabalho e renda para milhares de catadores que atuam na região.

Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê – MNCR

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR

4 thoughts on “Catadores do Alto Tietê na luta contra a incineração

  1. jaciara lopes

    Sou totalmente contra à incineração e favor à reciclagem!

  2. Eliane

    Povo de Carapicuiba, vamos lutar junto,pois os maiores prejudicados seremos nós, por ser dentro da Sabesp mais proximo da Escola Josue Matos Aguiar na Vila Gustavo Correa, se não temos autoridade que lutem a nosso favor, nós mesmos temos que fazer.

  3. MARIA VALENTINA SENA E SILVA

    Quero saber como posso colocar Osasco nessa campanha, quero participar!

    11 3695 2365
    https://www.facebook.com/mariavalentinasenaesilva

  4. ildefonso hipolito penteado

    estou produzindo um trabalho de conclusão de curso que estará sendo feito na escola tecnica de itaquaquecetuba etec,estarei falando sobre o trabalho do cruma e catadores autonomos no mes de dezembro.

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